152. Literatura. 2 tipos: a boa tem a função de nos deslumbrar infinitamente; a melhor, de garantir que isso não aconteça duas vezes.
116. Crítico. Um censor anarquista: aponta o vício e seu autor, mas o deixa livre – talvez pela sádica insistência de surpreendê-lo novamente, talvez pelo masoquismo de consegui-lo.
113. Teatro experimental. Reprodução de dramas e comédias em que os espectadores esperam ver uma peça; meio intervalo depois, alguns percebem que ela está sendo devidamente pregada.
103. Ceticismo. Não é uma lógica implacável. A racionalização e o exercício fundamental da inteligência têm por fim restar claro ou evidente o que era indistinto e questionável. Trata-se justamente de uma inversão. Edificar uma cultura cínica é como construir um prédio apenas com dinamites.
101. Intelectual. Profissional que confunde inteligência com a habilidade de esconder a própria burrice.
096. História. O passado nunca desaparece - fatos são como quaisquer objetos materiais: permanecem pela Terra, deteriorando-se, até ficarem irreconhecíveis.